quinta-feira, 20 de julho de 2017

Menino que recebeu transplante duplo de mãos se veste e se alimenta sozinho

O menino Zion Harvey: cirurgia pioneira em crianças
O menino Zion Harvey: cirurgia pioneira em crianças Foto: Divulgação / Divulgação

Zion Harvey, primeira criança a receber um transplante duplo de mãos, em 2015, quando tinha 8 anos, continua a mostrar melhoras um ano e meio depois da operação, relatam médicos responsáveis pelo caso em artigo publicado ontem no periódico científico “The Lancet Child & Adolescent Health”. Segundo eles, o garoto americano, hoje com 10 anos, consegue se alimentar, se vestir e até escrever após meses de terapia ocupacional e psicológica, além de ter recentemente realizado seu sonho de brincar com um taco de baseball.

— Nosso estudo mostra que a cirurgia de transplante de mãos é possível quando cuidadosamente administrada e apoiada em um time de cirurgiões, especialistas em transplantes, terapeutas ocupacionais, equipes de reabilitação e psicólogos — comemora Sandra Amara, médica do Hospital Infantil da Filadélfia e uma das profissionais envolvidas no caso do menino. — Dezoito meses depois da cirurgia, a criança está mais independente e capaz de cumprir tarefas do dia a dia. Ele continua a melhorar à medida que frequenta terapias diárias para evoluir na função das mãos e tem apoio psicológico para ajudar a lidar com as demandas da operação.

E estas demandas não foram poucas. Segundo os médicos, neste um ano e meio desde a cirurgia, Zion enfrentou oito episódios de rejeição das novas mãos, submetendo-se a agressivos tratamentos com drogas imunossupressoras que o deixam mais sujeito a doenças. O menino foi escolhido para a operação justamente porque já tomava este tipo de remédios por ter feito um transplante duplo dos rins quando ainda era um bebê, após o qual sofreu com infecções que forçaram a amputação de suas mãos e pés quando tinha apenas 2 anos de idade.

Ainda de acordo com os médicos, exames de imagem do cérebro de Zion revelaram que o órgão do menino desenvolveu vias para controlar os movimentos das mãos e levar sinais de tato delas para o cérebro. Mas mesmo diante dos bons resultados no caso do garoto, eles alertam que deve-se ter muita cautela ao analisar os benefícios e riscos deste tipo de cirurgia, lembrando que em outra tentativa recente, envolvendo um adolescente que recebeu um membro de um doador, houve sérias complicações e o paciente morreu pouco depois da operação.

Fonte: Jornal Extra

Dia do amigo: vínculos na infância ajudam no desenvolvimento emocional

Turminha estuda junto desde o jardim e permanece unida mesmo após troca de escola Foto: Divulgação
Ana Paula Blower

É a família que escolhemos, são os que estão ao nosso lado na alegria e na tristeza e ficam bem guardadinhos no lado esquerdo do peito. No Dia Internacional do Amigo, celebrado nesta quinta-feira, confira os principais e os inúmeros benefícios, segundo especialistas, da amizade na infância: a companhia de alguém querido, por exemplo, ajuda a enfrentar etapas essenciais do crescimento.
De acordo com psicólogos, ter com quem compartilhar frustrações, alegrias, broncas e brincadeiras é fundamental para o desenvolvimento emocional e ensina a conviver e a respeitar as diferenças. Além disso, cultivar boas amizades quando criança faz com que no futuro se tenha mais facilidade para estabelecer vínculos afetivos.
— Beneficia por conta dos valores envolvidos na troca: éticos, afetivos, sociais. Se isso ocorre cedo, essas habilidades são exercitadas e criadas já na criança. Ela aprende a negociar, a ceder. Amadurecem à medida que aprendem com o outro — diz a psicóloga Paula Emerick, fundadora do Solace Institute.
Assim como na fase adulta e na velhice, amigos de infância se ajudam a passar pelas transformações naturais da vida, como uma simples mudança de colégio. Ver que o outro superou algo é um incentivo.
— Traz uma segurança emocional, que não está só na família — afirma Paula.
Se para adultos uma amizade de seis anos já pode ser sinal de confiança, imagine para crianças, que têm outra noção de tempo. Lucas Maia Neves, de 10 anos, mantém esse longo laço de afeto com amigos da escola desde o jardim de infância. Os pequenos não se desgrudam: jogam videogame, vão ao cinema...
— Como eu sou filho único, eles são tipo meus irmãos. Acho que vou ser amigo deles por muito tempo — resume o pequeno Lucas
A família que se escolhe para crescer junto
Para a psicóloga Renata Bento, é preciso valorizar esses vínculos na infância. Assim, são fortalecidas as capacidades de enxergar o outro e de se identificar. Ela ressalta que é importante que os pais tentem interferir o mínimo possível nessas relações.
— Para que eles possam criar alternativas, buscar saídas para ultrapassar as dificuldades encontradas na relação. Estarão aprendendo a lidar com alguém fora do círculo familiar — observa Renata.
Ainda entre os benefícios da troca entre os pequenos, está saber como é dividir e se posicionar diante do outro. Em uma conversa, que para elas pode parecer algo simples, as crianças vão crescendo juntas.
Depoimento: ‘Os amigos serão levados além da escola’
Daniele Maia é advogada, de 42 anos,e mãe de Lucas.
— Ele estuda no mesmo colégio desde os 4 anos. Criou ali um ciclo de amizade muito legal que se estendeu aos pais. Eles querem estar sempre juntos, fazem cursos, combinam de jogar um na casa do outro. Esse ano encerram o ciclo no colégio, mas percebemos que os amigos serão levados além da escola. Vão permanecer muito unidos — acredita Daniele.

Fonte: Jornal Extra


quarta-feira, 12 de julho de 2017

Uma criança saudável é espontânea, barulhenta, inquieta, emotiva e colorida



Uma criança não nasce para estar sentada, vendo televisão ou brincando com o tablet. 

Uma criança não quer estar calada o tempo todo.

Elas precisam se mexer, explorar, encontrar novidades, criar aventuras e descobrir o mundo que as rodeia. Elas estão aprendendo, são esponjas, brincalhonas natas, caçadoras de tesouros, terremotos em potencial.

Elas são livres, almas puras que tentam voar, não ficar de canto, amarradas ou com algemas. Não as façamos escravas da vida adulta, da pressa e da escassez de imaginação dos mais velhos.

Não as apressemos ao nosso mundo de desencanto, potencializemos a sua capacidade de se surpreender. Precisamos garantir que tenham uma vida emocional, social e cognitiva rica de conteúdos, de perfumes de flores, de expressão sensorial, de alegrias e de conhecimentos.

O que se passa no cérebro de uma criança quando brinca?

A brincadeira tem benefícios para as crianças em todos os níveis (fisiológico-emocional, comportamental e cognitivo) que não são novidade. De fato, podemos falar de diversas repercussões inter-relacionadas que ela oferece:

Regula o seu estado de ânimo e a sua ansiedade.

Favorece a atenção, a aprendizagem e a memória.

Reduz a tensão dos neurônios, favorecendo a tranquilidade, o bem-estar e a felicidade.

Magnifica a sua motivação física, e graças a isto seus músculos reagem motivando-as a brincar.

Tudo isto favorece um estado ótimo para a imaginação e a criatividade, ajudando-as a aproveitar a fantasia que as rodeia.

A sociedade vem alimentando a hiperpaternalidade, ou seja, a obsessão dos pais para que seus filhos alcancem habilidades especificas que garantam uma boa profissão no futuro. E como sociedade e educadores, nos esquecemos de que as crianças não têm valor segundo a sua nota escolar, e que não abrandando o nosso empenho de priorizar os resultados,estamos descuidando das habilidades para a vida.

O valor das nossas crianças é o de pequenas pessoas que precisam ser amadas independentemente de tudo, não se definem por suas conquistas ou por seus fracassos, mas sim por elas mesmas, únicas por natureza. Como crianças não somos responsáveis pelo que recebemos na infância mas, como adultos, somos totalmente responsáveis por corrigi-lo.

Simplificar a infância da criança, educar bem

A expressão “cada pessoa é única” é algo que costumamos dizer com frequência mas que ainda temos pouco internalizado. Isto se vê em um simples fato: estabelecemos uma série de regras para educar a todas as nossas crianças.

Realmente este é um erro muito generalizado e que não é nem um pouco coerente com o que acreditamos (que cada pessoa é única). Portanto, não se estranha que a confluência dos nossos valores e das nossas atitudes sejam conflitantes na criação.

Por outro lado, como afirma Kim Payne, professor e orientador norte-americano, estamos criando nossas crianças no excesso de, exatamente, quatro pilares:

Informação demais.

Coisas demais.

Opções demais.

Velocidade demais.

Estamos impedindo-as de explorar, refletir ou se libertar das tensões que existem na vida cotidiana. Estamos empanturrando-as de tecnologia, de brinquedos e de atividades escolares e extracurriculares, estamos distorcendo a infância e, o que é mais grave, estamos impedindo-as de brincar e se desenvolver.

Atualmente, as crianças passam menos tempo ao ar livre do que as pessoas que estão em prisões. Por quê? Porque as mantemos “entretidas e ocupadas” em outras atividades que achamos mais necessárias, procurando que fiquem limpos e não se sujem de barro. Isto é inaceitável e, acima de tudo, extremamente preocupante. Analisemos algumas razões pelas quais precisamos mudar isto…

O excesso de higiene aumenta a possibilidade de que as crianças desenvolvam alergias, bem como demonstrou uma pesquisa do hospital Gotemburgo, na Suécia.

Não permitir que brinquem ao ar livre é uma tortura que enclausura o seu potencial criativo e de desenvolvimento.
Mantê-los colados à tela do celular, do tablet, do computador ou da televisão é tremendamente prejudicial a nível fisiológico, emocional, cognitivo e comportamental.

Poderíamos continuar, mas realmente, neste ponto, acredito que a maioria de nós já encontrou inúmeras razões que mostram que estamos destruindo a magia da infância.Como afirma o educador Francesco Tonucci: “A experiência das crianças deveria ser o alimento da escola: sua vida, suas surpresas e suas descobertas. Meu professor sempre pedia que esvaziássemos os bolsos na sala de aula, porque estavam cheios de testemunhas do mundo exterior: bichos, cordas, figurinhas, bolinhas… Pois atualmente deveríamos fazer o contrário, pedir as crianças que mostrem o que levam nos bolsos. Desta forma a escola se abriria para a vida, recebendo as crianças com seus conhecimentos e trabalhando ao redor delas”.

Esta, sem dúvida, é uma forma muito mais sadia de trabalhar com elas, de educá-las e de garantir o seu sucesso. Se em algum momento nos esquecermos, deveríamos ter o seguinte muito presente: “Se uma criança não precisa entrar com urgência na banheira, é porque não brincou o suficiente”. Esta é a premissa fundamental de uma boa educação.

Fonte: A mente é maravilhosa

Agradecer não é educação, mas sim sinal de um poder extraordinário


Agradecer, para muitos, é um gesto de cortesia e educação quase automático. A gente agradece quando recebe um presente, quando alguém faz um favor ou quando as pessoas têm uma atitude gentil. No mais, parece não ser importante agradecer por alguma coisa. A gratidão, então, se reduziu a algumas circunstâncias específicas, basicamente de cunho social.
Inclusive nessas situações pontuais onde cabe agradecer, muitas vezes a gratidão não é sentida do fundo do coração. Somente nos casos extremos dizemos esse “obrigado” com total convicção. E passado um tempo o sentimento se dissipa.
Haverá quem pense que isto não é o certo. Trata-se justamente disso: dizer “obrigado” no momento certo e, se possível, devolver o favor, ou a atenção que nos deram. Para que mais? Embora no mundo atual isso seja verdade, agindo dessa forma na verdade estamos banalizando a gratidão. Esquecemos que esta é uma força extraordinária, que contribui para termos uma melhor saúde mental e que muitas vezes desperdiçamos.

Agradecer é muito mais do que dizer “obrigado”

A gratidão é um sentimento alegre. Inclusive se o agradecimento se deve a alguma coisa que alguém fez em um momento triste. Nestes casos, agradecer nos remete a um fato agradável que nos enche de satisfação. De fato, a palavra “gratidão” vem de “graça”. E “grato” se traduz como alguma coisa que nos causa bem-estar ou complacência.
Agradecemos a alguém quando existe a consciência de que recebemos mais do que oferecemos. Por isso, imediatamente surge o sentimento de que se obteve um ganho. Então, espontaneamente surge a necessidade de agradecer por esse “extra” que recebemos.
A gratidão implica não apenas uma forma de cortesia, mas também uma experiência de satisfação, de alegria e, por que não, de felicidade. Quem está agradecido, está feliz. E mais feliz é quem é consciente da grande quantidade de motivos que tem para se mostrar agradecido.



Por que para muitas pessoas é difícil agradecer?

Há muitas pessoas que sentem que não têm nada a agradecer aos outros. Enumeram detalhadamente as vezes em que precisaram de alguma coisa e não receberam a ajuda esperada. Ou a infinita quantidade de situações em que deram alguma coisa aos outros e não foram correspondidos. A sua balança entre o que dão e o que recebem sempre se inclina de forma oposta à gratidão.
Provavelmente existe uma lógica onde os outros estão sempre em dívida. A pessoa espera dos outros mais do que eles podem dar e por isso, obviamente, sempre fica frustrada. Acha que poderiam “ter dado mais”. Então, por que agradecer?
Quem pensa assim costumam ser pessoas muito mimadas ou cujo ego foi muito exaltado. Quando existe uma grande dose de narcisismo, o que os outros oferecem de si nunca será suficiente para elas, a mesma coisa com o que a vida lhes proporcionar. Sempre sentem que merecem mais e, obviamente, existem muitos mais motivos para se queixar do que para agradecer.

A gratidão tem poder

O agradecimento é algo que se dá ao outro, ou a alguma coisa abstrata. Pertence ao mundo do dar, não do receber. Mas, como dissemos anteriormente, só o fato de estar nessa postura de gratidão implica um gosto, uma satisfação, um tipo de felicidade. Também enobrece o coração.
Se não fosse pelas ações das outras pessoas, provavelmente sequer estaríamos vivos.Se estamos é graças a uma mãe que nos gestou, que sofreu as dores do parto para dar à luz e que preservou a nossa vida quando não podíamos dar conta de nós mesmos. Não importa se ela mesma não estava pronta para ser mãe, ou se poderia ter feito isto melhor. Só o fato da maternidade já implica uma oferta. Também contam as pessoas que nos ajudaram a nascer, a crescer, a não morrermos nesses primeiros anos vulneráveis.
Daí para frente há os professores que nos instruíram, colegas de brincadeiras, talvez amigos que nos ouviram, amores que talvez se doaram por nós, talvez pessoas que confiaram no nosso próprio trabalho. Nosso dia a dia é possível graças a muitas pessoas, mas às vezes não percebemos isto. Não somos capazes de ver a sua grande contribuição. Em vez disso, nos concentramos no que não fazem.
Viver de forma agradecida é viver muito perto da felicidade. Mais do que uma virtude, ou um valor, é uma atitude diante da vida. Só dá para agradecer se a gente for humilde. Se compreendemos que ninguém nos deve nada, nem tem a obrigação de nos agradar. Quando entendemos isso, damos um grande passo para a frente.

A gratidão muda vidas.

Fonte: A Mente Maravilhosa

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Como Chegar - UNI-BH Estoril


Confira abaixo como chegar ao local do curso, saindo das principais localizações:



LOCAL DO EVENTO:

UNI-BH - Auditório C2 - Rua Líbero Leone, 259 - Estoril 


CONTATO:

E-mail: contato@creativeideias.com.br
Telefone: (21) 2577 8691 | (21) 980684462 - WhatsApp (TIM)




COMO CHEGAR:



MAPA DO LOCAL DO EVENTO:

MAPA - UNI-BH - Auditório C2 - Rua Líbero Leone, 259 - Estoril

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quarta-feira, 31 de maio de 2017

Jovem autista encontra refúgio no fliperama, ganha habilidades sociais e vira campeão mundial


Quando o canadense de 27 anos joga fliperama na galeria perto de sua casa, nas redondezas de Vancouver, geralmente uma multidão se reúne para assistir. Robert tem tanto controle do jogo que é capaz de fazer com que cada bolinha permaneça "viva" por até uma hora. Ele frequentemente quebra recordes, deixando suas iniciais - REG, de Robert Emilio Gagno - no ranking de vencedores.
"Se estou jogando por diversão, consigo repetir tiros certeiros sem parar e, ao mesmo tempo, descobrir quais são os movimentos que recebem o maior número de pontos", revela o jovem.
Ele se debruça quase que horizontalmente sobre a máquina de fliperama, movimentando a bola cuidadosamente sobre os flippers (as duas alavancas usadas para impedir que as bolas caiam na caçapa), antes de atirá-la para o campo de jogo, enquanto o brilho das luzes explodindo dos bumpers (os obstáculos em forma de cogumelo) se reflete em seus óculos.
Robert diz que foi essa combinação de luzes e sons que primeiro o atraíram para o jogo.
"Quando ele tinha cinco anos, uma vez eu o levei para comer um hambúrguer", conta o pai, Maurizio. "Havia uma máquina de fliperama no canto (da lanchonete) e ele ficou mais interessado nela do que na comida. Minha mulher, Kathy, e eu percebemos que poderíamos sentar e relaxar um pouco enquanto Robert jogava."
Kathy, a mãe, percebeu que seu filho era "diferente" logo cedo. Ele era fascinado por avisos de "saída" dos lugares, gostava de girar em círculo e gritava durante encontros com outros pais e crianças.
"A palavra 'autismo' foi mencionada pela primeira vez quando Robert tinha três anos", diz Kathy.
"Não era algo conhecido naquela época. Os livros que encontrava na biblioteca diziam que era um problema ligado a deficiências na educação dada pelos pais, o que não fazia sentido para mim."
Robert levou mais tempo do que a média para aprender a falar, e suas palavras saíam todas fora de ordem. Ele ficava frustrado por não conseguir se fazer compreender - e lembra de se sentir deslocado.
"Ele era um menino doce e engraçado, mas exigia muita supervisão. Sempre falávamos abertamente de suas dificuldades às outras crianças, explicando a elas que 'às vezes pode não parecer, mas ele está muito contente por brincar perto de vocês'", conta Kathy.
O fliperama era um refúgio em um mundo tumultuado para Robert. Seus pais lhe compraram uma máquina própria, chamada Whirlwind, quando ele tinha dez anos de idade. Ele chegava a passar horas e horas do dia tentando melhorar sua pontuação.
Hoje, a família guarda uma dúzia dessas máquinas em sua garagem em Burnaby, perto de Vancouver.
À medida que a habilidade de Robert crescia, sua autoconfiança melhorava. Ele passou a jogar em lugares abertos, como boliches e salões de jogos.
"(O jogo) ajudou-o com coisas como saber quando era a vez dele de falar, ter espírito esportivo, conversar com os outros e isso certamente impulsionou sua autoestima", conta a mãe.
E, além disso, deu-lhe a oportunidade de fazer novos amigos.
"Gosto de jogar com outras pessoas em torneios. Há bons jogadores em Vancouver, e é divertido tentar superar os recordes uns dos outros ou ensinar truques a outros jogadores", diz Robert.
Robert passou a competir em torneios de fliperama aos 19 anos. Hoje ele é o principal jogador do Canadá e está entre os dez melhores do mundo.
Ele acha que o autismo melhorou suas habilidades no jogo.
"Acho que consigo focar em uma única coisa por um bom tempo e tenho uma forte memória visual. Então só preciso jogar uma vez em uma máquina para me lembrar (dela). Também consigo perceber várias coisas acontecendo ao mesmo tempo e rapidamente calculo para onde a bola deve ir."
Mas a condição também traz desvantagens. Robert tem dificuldade em identificar certas "pistas" sociais, como o melhor momento em dar um abraço num amigo.
"Acho difícil entender quando falar e quando não falar, ou decidir qual a melhor forma e momento de cumprimentar pessoas", comenta.
Ele também sofre para escolher "as palavras certas" para cada situação. Em um documentário sobre ele, chamado Wizard Mode, ele é questionado sobre o que gostaria que um empregador soubesse a seu respeito. "Que sou afetuoso", responde. Ao que sua mãe agrega: "Acho que você quer dizer que é amigável e consegue se relacionar com as pessoas".
E o autismo também pode ter um efeito negativo em seu jogo.
"Tendo a ficar mais ansioso e posso ter dificuldade de concentração se estou incomodado ou preocupado. Quando isso acontece, não jogo tão bem", explica Robert.
Quando está às vésperas de um campeonato, ele joga fliperama por cerca de duas horas ao dia. Seu pai o ajuda nos preparativos para as inevitáveis mudanças de rotina durante os torneios - algo que costuma ser trabalhoso para Robert.
"Conversamos sobre coisas como a espera nos aeroportos", relata Maurizio. "Eu também faço as inscrições nos torneios e fico de olho para que ele se alimente e durma o suficiente, caso contrário, ele provavelmente esqueceria disso."
Maurizio é uma espécie de técnico, ajudando Robert a se manter calmo e não deixar que partidas ruins o atrapalhem.
Eles participam de torneios na Europa, no Canadá e nos EUA. O prêmio mais cobiçado é Campeonato Mundial de Fliperama da Associação Profissional e Amadora de Pinball (Papa, na sigla em inglês), realizado na Pensilvânia, de onde sai o campeão mundial.
Robert tentou a sorte no ano passado e surpreendeu. Avançou rapidamente e chegou à final contra o favorito, Zac Sharp, que escolheu a máquina em que competiriam - Flash Gordon, um fliperama antigo e notadamente difícil. Mas a alta pontuação obtida por Robert em sua segunda bola mostrou-se imbatível. Momentos depois, o canadense estava com o troféu de campeão mundial nas mãos, sob o olhar marejado de seu pai.
"Fiquei tão feliz e orgulhoso de vencer o Papa", conta Robert. "Adoro provar às pessoas que elas estavam erradas quanto a mim."
Robert continua a competir no fliperama, mas seu foco hoje é em se tornar mais independente. Ele trabalha duas manhãs por semana em um banco e, à noite, cursa programação de computador. Ele também já deu palestras sobre sua carreira no fliperama. Ainda vive com seus pais, mas sonha em morar sozinho.
"Também gostaria de ter uma namorada e me casar algum dia", conta.
Orgulhosos, seus pais o estimulam a encarar novos desafios.
"Robert é um cara bonito, disse para ele se inscrever em sites de namoro", diz Maurizio. "Não quero que ele se sinta limitado ou tenha qualquer barreira."

O autismo se manifesta de forma diferente em meninas

SHANNON FAGAN VIA GETTY IMAGES
Girl Sitting on Porch Swing

Os critérios utilizados para diagnosticar o autismo são baseados nos comportamentos sobretudo masculinos. Assim, casos mais leves em meninas estão sendo confundidos com outros transtornos, como TOC e TDAH.
Até recentemente, o caso da famosa zootecnista americana Temple Grandin, conhecida mundialmente por seu trabalho de conscientização do autismo, era considerado exceção. Afinal, pela visão tradicional do autismo, de cada cinco crianças que apresentam o distúrbio, apenas uma é menina - sendo que, geralmente, nelas os sintomas se manifestam de forma mais severa. Entre as pessoas com autismo e inteligência acima da média, como Temple, a proporção é ainda mais discrepante: somente uma em cada dez é menina. Recentemente, no entanto, a ciência passou a rever essas estatísticas. Estudos mostram que o mais provável é que as meninas que apresentam autismo de alto funcionamento estão escapando do radar dos médicos.
Pesquisadores holandeses investigaram de 2.275 pacientes com o transtorno e constataram, em 2012, que os casos mais leves (conhecidos como Síndrome de Asperger), são identificados em média 20 meses mais tarde em meninas. No mesmo ano, cientistas do King´s College, de Londres, analisaram os diagnósticos de 15 mil pacientes e constataram que as meninas precisam apresentar dificuldades comportamentais ou intelectuais mais severas para serem diagnosticadas, o que diminui consideravelmente a chance de entrarem para a extremidade mais funcional do espectro.
A principal razão para essa dificuldade na identificação dos sintomas nas meninas está no simples fato de que os critérios de avaliação foram feitos com base em padrões essencialmente masculinos. Um dos primeiros sinais buscados por especialistas nas avaliações, por exemplo, é o interesse específico incomum. Enquanto em meninos isso fica evidente, nas garotas passa facilmente despercebido, pois elas tendem a direcionar seu interesse a assuntos que não necessariamente são considerados estranhos para sua faixa etária.
Mas o fator que mais atrapalha o diagnóstico está no comportamento social das meninas com autismo: de forma diferente dos meninos, elas conseguem disfarçar suas dificuldades sociais com sua habilidade especial em copiar o comportamento de outras meninas. Essa camuflagem tende a ser mantida durante a vida acadêmica e mesmo mais tarde, no ambiente de trabalho.
Assim, tentam se ajustar às regras sociais com estratégias mais intelectuais e menos intuitivas. De acordo com as pesquisadoras Judith Gould and Jacqui Ashton-Smith - duas referências mundiais no estudo do autismo em mulheres -, além dessa habilidade de mímica, as garotas do espectro, diferentemente dos meninos, tendem a se envolver quando pequenas em brincadeiras de faz de conta e se engajar em um mundo de fantasia e imaginação com facilidade.
A professora Francesca Happé, do departamento de Neurociência Cognitiva do Kings College, acredita que a camuflagem social típica feminina é um dos principais entraves para a identificação precoce dos casos leves. Ela defende que os médicos investiguem mais profundamente o comportamento entre as meninas, procurando saber o nível de ansiedade e stress que as interações sociais provocam. Happé acredita que fator cultural também possa exercer um papel nessas diferenças, já que as expectativas com relação às interações sociais e comunicação entre meninas é mais alta, o que pode levar a um estímulo maior desde cedo.
O que acontece com frequência é a interpretação errada de sintomas como ansiedade, problemas alimentares e comportamentos rígidos e repetitivos nas consultas médicas. Assim, muitas garotas atravessam a infância e a puberdade sem saber a real origem de suas dificuldades sociais e sem receber os estímulos adequados para desenvolverem as questões mais desafiadoras. Muito comumente são diagnosticadas com transtorno obsessivo compulsivo (TOC) ou recebem o diagnóstico-curinga de transtorno de hiperatividade e déficit de atenção (TDAH) - que devido a seus critérios amplos e subjetivos é identificado de forma rápida e superficial, o que ajuda a mascarar as reais causas dos sintomas relacionados.
Também é bastante comum que se encaixem no perfil de distúrbios alimentares. Uma meta-análise de 2015 liderada pela pesquisadora Kate Tchanturia, também do King´s College, contatou que 23% das meninas com anorexia nervosa apresentaram sintomas de autismo. Essa relação se dá como consequência de vários fatores: a típica aversão a vários tipos de alimentos, a ansiedade, medo de crescer e sair de perto dos pais, dificuldade em aceitar as mudanças no corpo e busca por mais aceitação social na adolescência.
Segundo Happé, a ciência tem muito a descobrir sobre como o transtorno se manifesta nas mulheres. Afinal, se as meninas da ponta funcional do espectro não estão sendo reconhecidas, também são pouco estudadas. Mas essa escassez de informações está com os dias contatos. Pesquisadores das Universidades de Harvard, da Califórnia e de Washington estão conduzindo uma ampla pesquisa longitudinal para investigar todos os aspectos possíveis de como o autismo se manifesta em meninas desde a infância até o início da idade adulta.
Segundo o cientista Kevin Pelphey, diretor do departamento de Neurociências de Desenvolvimento da Universidade de Yale, os resultados iniciais já estão comprovando que tudo o que a ciência sabia sobre o autismo é verdade apenas para meninos. O fato de autistas usarem áreas diferentes do cérebro para processar informações sociais - como gestos e movimentos oculares - não se aplica entre meninas. O que já puderam perceber é que meninas do espectro apresentam atividade cerebral reduzida, com relação a garotas típicas, em áreas relacionadas à socialização. Mas em um nível que, em meninos, poderia ser considerado dentro da curva da normalidade.
Existem também evidências de que em meninas o fator genético é mais forte - uma conclusão que resulta da constatação de que elas têm uma chance bem maior de ter irmãos com traços autistas que o contrário. Alguns também defendem a relação do transtorno com a exposição a altos níveis de certos hormônios, como testosterona: um estudo sueco de 2015 apontou que mulheres com ovários policísticos têm 59% mais chances de ter um filho com autismo.
A boa notícia é que o assunto emergiu com força e grande repercussão. Hoje, diversos pesquisadores ao redor do mundo, inclusive mulheres com autismo funcional e pais de meninas com o mesmo diagnóstico, estão determinados a desvendar o cérebro autista feminino. Essa nova perspectiva irá facilitar, muito em breve, identificação precoce e, assim, tratamentos mais eficazes e dirigidos às necessidades específicas das meninas.